Otávio Edmilson da Silva Monteiro é mais um jogador promissor formado na base do Internacional. O meia-atacante fez sua estreia com apenas 17 anos, teve grandes atuações e foi rapidamente vendido ao Porto, gigante do futebol luso, por 5 milhões de euros, após apenas 62 partidas e sete gols com a camisa colorada.
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Em Portugal, assinou até 2019, com uma cláusula de rescisão de 50 milhões de euros, incríveis R$ 207 milhões. O descuido com a forma física, no entanto, quase impediu que o atleta, hoje com 20 anos, emplacasse no futebol profissional.
Quem conta é o próprio Otávio. Após férias, o meia passou do ponto e voltou "gordinho" aos treinos do Inter, em 2012. Foi uma bronca forte do técnico Dunga, então comandante vermelho, que o fez entrar nos eixos.
"O Dunga é um cara que eu tenho uma enorme gratidão. Ele me ajudou muito, porque eu tinha problema com peso. Eu estava lesionado e depois emendei as férias, estava há quase quatro meses sem jogar. Estava triste, acabei descontrolando, voltei acima do peso. Pediram para os garotos do Inter B, como eu e o Lucas Lima, voltarmos mais cedo das férias para jogar o Gauchão. O Dunga já tinha me visto jogar antes pelo profissional, e um dia me chamou para conversar, logo quando voltei. Fechou a cara e me deu uma puta bronca!", lembra o jogador, hoje emprestado ao Vitória de Guimarães.
"Ele disse que precisava me cuidar, que precisava cuidar do meu corpo, porque era meu instrumento de trabalho. E graças a essa conversa eu me motivei e sigo até hoje me cuidando demais, nunca mais deixei passar. O Dunga é um cara fantástico, e o agradeço até hoje. Quando você ouve algo assim de um capitão vencedor de Copa do Mundo, tem um peso ainda maior. Foi muito bacana, porque ele confiava e mim e demonstrava isso", elogia.
Depois de entrar em forma, Otávio passou a "voar" em campo. Bicampeão gaúcho em 2013 e 2014, foi negociado com o Porto em setembro do ano passado, após pouco mais de 60 jogos pelo Inter.
Chegou ao "Dragão" com moral, mas ainda não teve muitas chances na equipe principal. Por enquanto, vem atuando pelo Vitória de Guimarães, por empréstimo, para ganhar experiência, já que ainda é jovem.
"Fui bem recebido por todo mundo em Portugal, só que ainda não tive oportunidade com o Julen Lopetegui [técnico do Porto]. Trabalho para buscar uma oportunidade. O Porto tem uma estrutura fantástica, é um clube muito bem organizado", afirma.
"Estou emprestado ao Vitória pelo Porto pela segunda temporada seguida. Na anterior, fui muito bem, o time chegou em 5º e se classificou para Liga Europa. Voltei ao Porto, mas, como não seria aproveitado, pedi para me emprestarem outra vez. Desta vez, o time não começou tão bem, mas espero melhorar e, quem sabe, voltar ao Porto na próxima época", completa, já misturando o vocabulário lusitano.
Saudades do Inter
Nascido em João Pessoa, na Paraíba, Otávio começou a jogar bola aos 7 anos de idade. Aos 10, ingressou nas categorias de base do Santa Cruz. Promissor, fez um teste no Internacional e foi rapidamente aprovado, quando tinha 14 anos. Dos tempos de Beira-Rio, ficaram as saudades e os bons amigos, como o meia Valdivia, hoje titular do Colorado.
"Sou bem amigo do Andrigo, do Cláudio Winck e do Valdívia, que é uma figuraça. Só damos risada com ele, ele comanda a roda de carteado, mas ele gosta de roubar (risos). Brincadeira, ele joga bem demais, é viciado em carteado, ele é f... em qualquer jogo, impressionante! Videogame, tênis de mesa, tudo! Ele nasceu para competir, se quiser parar de jogar futebol e se dedicar ao pôquer, ele consegue!", recorda, saudoso.
Nos tempos de base, o jogador ficou conhecido como Otavinho, devido ao 1,70m de altura. Rápido e habilidoso, logo chegou à seleção brasileira sub-20, à época comandada por Alexandre Gallo.
Indicado pelo técnico Clemer ao time profissional, foi promovido por Dorival Júnior e fez sua estreia contra o Santos, em julho de 2012, no Campeonato Brasileiro.
"Eu tinha sido campeão pelo sub-17 e estava preparado para folga quando me ligaram para treinar no profissional no dia seguinte. Fui falar com o Dorival e achei estranho, mas ele me mandou só correr para recuperar. Ele me disse que ia passar um tempo lá no time de cima, e que talvez fosse relacionado. Dei sorte, pois contra o Santos houve três cortes e eu acabei indo para o jogo, não esperava. Fui e ainda consegui entrar e quase fiz um gol!", lembra.
Depois disso, Otávio ficou de vez no elenco principal do Inter, mesmo com Fernandão assumindo como técnico depois. O primeiro gol saiu contra o Cruzeiro, antes da parada para a Copa das Confederações de 2013, em momento eternizado na mente do garoto.
Outro grande momento de sua curta, mas boa passagem pelo Beira-Rio foi quando enfrentou seu grande ídolo de infância, o meia Ronaldinho Gaúcho, em uma partida contra o Atlético-MG.
"O Neymar é o cara que eu mais admiro hoje, mas o Ronaldinho Gaúcho é o meu ídolo. Contra o 'Galo', eu fiquei admirado, era meu segundo jogo como profissional e fiquei olhando para ele, parecia um sonho, não acreditava. Eu jogando contra um ídolo de infância foi uma coisa incrível! Quando ele passou ao meu lado foi emocionante", finaliza.

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